quarta-feira, 11 de junho de 2008

It's all complicated. Stop&Go.




Como português que sou, gosto de dar o meu melhor. Sobretudo, sendo um português a trabalhar no estrangeiro, para uma empresa estrangeira. Leia-se bem pago, porque será que muitos portugueses não dão realmente o seu melhor, no seu próprio país? Resposta fácil. Como se diz por aqui, estamos fartos de Ali Babás. Ia escrever de uma coisa, agora já estou a escreve sobre outra. Escrevo sobre várias... The brain...
Hoje fiquei a saber que Portugal está em estado de sítio, de repente este inferno virou paraíso. Não só pelas razões profissionais acima descritas, mas também porque se aí estivesse significaria que estava a ser chulado. Por outro lado gostava de participar nessa luta. Má ou boa, justa ou injusta, da melhor ou da pior maneira. Já fazia falta quem abane esse o nosso país. Mais feliz fico por ver isto acontecer no meio do Euro 2008. O povo quer é circo, desta vez, a tenda pega fogo. Abanem bem esse status quo... Mostrem que o povo é quem mais ordena. O tuga enche...enche, mas também rebenta. É ridículo, o preço do litro de gasóleo aqui é 11 cêntimos. A Galp, BP e companhias que desçam os preços que já andaram a mamar que chegue durante anos suficientes. Assim como a brisa e outras directamente ou indirectamente relacionadas. E o Estado, o Estado que desça as taxas intoleráveis que pratica sobre os vendedores e revendedores. Parece que chegou a altura de lutar, gostava de partilhar essa luta. Tudo isto fruto de um senhor que decidiu que seria melhor para a economia do seu país invadir um outro, só para que os seus amigos pudessem fabricar e vender mais armas e toda a parafernália de instrumentos bélicos. Esse senhor, vai saltar fora, e deixa os eu país numa situação também não menos desgraçada... A chamada Bush...para a boca!
Profissionalismo, dedicação. Exceder a sua função, fazer mais do que se é pago para se fazer porque as coisas não correm bem. Problemas! Ou não?
Debato-me neste momento com esta questão. Isto de trabalhar em projectos megalómanos, cheios de pessoas e com objectivos quase impossíveis é complicado. Departamentos muito grandes. Por vezes para conseguir uma informação é um mar de burocracia. A pergunta passa por não sei quantas mesas, e muitas vezes perde-se num oceano de gente. Porque a pergunta é uma boa pergunta, porque a pergunta é uma pergunta incómoda. Respira-se fundo, faz-se uma pausa...estou a trabalhar com os japoneses. Vejo muita coisa a correr mal e sei dizer como se fazer melhor. Mas se o começar a fazer vou deixar muita gente ficar mal. Sou um de 3 ou 4 Europeus no meio disto. Se abalamos isto com muita força, o tal do status quo, isto vai correr mal. Aqui ter o azar de chatear a pessoa errada, significa, um bilhete de avião para casa. Faço parte de um departamento que se chama IT Group (intelligence), estou numa posição hierárquica bastante alta. Há muitos japoneses que me devem pedir ajuda e responder às minhas perguntas. Quando para aqui vim, não fazia ideia que assim seria.
Sou Português. Acreditem que esse sentimento aqui se torna muito mais forte. Por estar longe de casa, por sermos dois no meio de uns quinhentos asiáticos, por muitos deles não gostarem que nós estejamos na posição que estamos. Por haver quem faça muito para a nossa vida não ser fácil, e por andarem aí muitos a brincarem com esta merda toda.
Mais que nunca tenho que medir as minhas palavras, as minhas atitudes. Tenho que provar dia após dia, que sou capaz. Tenho que merecer o respeito e a confiança depositada em mim. O que falta aqui em divertimento, fiesta e lazer, sobra em desafio profissional e pessoal. Profissional, porque tenho responsabilidades e mais que nunca tenho que estar á altura. Pessoal, porque o desafio é grande, o nível de contenção exigente, tanto para os japoneses como para os árabes e sobretudo, para as árabes e para os problemas que daí podem advir. You cannot always speak your mind. Nas conversas informais, continuo a falar de política, religião, liberdade e direitos humanos, igualdade para homens e mulheres. Com cautela, é verdade, mas recuso a anular-me e a perder a oportunidade de pôr umas cabecinhas a pensar. No trabalho, mensagens, subliminares, subentendidas em relatórios escritos. Em pequenos apontamentos, em pequenas conversas. Tenho indicações para não dar o meu melhor, para não exceder as minhas funções. Indicações de quem está a 3500km, de quem não passa aqui o dia a dia e não faz totalmente ideia do que é conquistar o que eu e o meu grande colega (que eu chamo de: mais velho, e bem o merece) conquistámos. A confiança e até alguma amizade de pessoas difíceis de conquistar. Confiança e respeito esse, que só se ganha, porque as pessoas vêm que vamos além do nosso trabalho. Que estamos aqui integrados numa equipa que quer fazer o seu melhor. Às vezes na vida (senão quase sempre), temos que deixar a retaguarda desguarnecida. E como diz um dos meus chefes japoneses daqui, que tem os olhos abertos como os meus...Nagatsu-San: Patiente, Endurance. Isto foi me escrito num daqueles tradutores electrónicos. Japonês/Inglês.
So i will keep doing my best, restrained, but not entirely as they tell me. Como se diz em Japonês: Gon bari mas.

11 comentários:

Joana Lopes disse...

Obrigada por ter passado pelo Brumas. Ms onde é que está? Na Ásia?

Fico curiosa.

Jakk disse...

Na Argélia!
Está escrito debaixo do título do blog.
Obrigado por retribuir a visita!

sandraf disse...

Não achei muito justas as afirmações que fizeste acerca da minha, ou melhor, da nossa Pátria.
Primeiro, estando a trabalhar no estrangeiro, mesmo sendo para uma empresa também estrangeira, és um emigrante como uma mulher-a-dias que trabalhe em França, ou qualquer coisa do género. Ela ganha em vez de 6€ à hora, talvez o dobro ou mesmo o triplo. Não está a ser "chulada". Acho muito bem que os portugueses saiam fora do seu país para produzir rendimento e ganhar mais que cá, mas também acredito que se nos esforçarmos e lutarmos pelo que achamos justo para nós, conseguiremos aqui mesmo. Não é necessário fugir!
Segundo, em relação à greve, leia-se não legal, que os camionistas encetaram, acho mais que legítimo que lutem pelo que pensam ser justo. E talvez até estivesse com eles nesta "guerra" se não fosse o caso de os mesmos estarem a denegrir o estado de direito, a democracia pela qual nos regemos, ao OBRIGAREM outros camionistas a juntarem-se à sua causa. Afinal onde é que estamos? Portugal não é uma democracia e os cidadãos não são livres de não querer participar? Onde é que está a liberdade nisto tudo?
Talvez aí longe não tenhas bem noção da grave atitude que estas pessoas estão a tomar, ao deixarem camiões com a comida, medicamentos e outros bens de extrema necessidade, a apodrecer...
Tudo isto não terá relevância para ti, pelo que analisei no teu post/texto, enquanto estiveres no meio de uma outra guerra! E dentro da tua mente só tu podes lutar...

sandraf disse...

Desculpa a frontalidade, quase brutal, mas sabes bem que não sou mulher de meias palavras e que diz o que pensa, e que já teve oportunidade de estar na tua situação e dizer: Basta! Vou para o meu lugar, Portugal, e lutar!
E lutei!
Fim

Bela disse...

Em 1º lugar, lutou-se, lutou-se mas mal são lançadas umas migalhas o pessoal rende-se. Estamos habituados a que nos deem pouco e por isso já nem se pede mais.
Em relação ao resto no fundo e não há nada que se compare a isso é a sensação de missão cumprida e essa vale bem apena lutar por ela.
Beijos.

Carla disse...

Já está tudo calmo, a luta apagou-se, até porque Portugal ganhou os dois primeiros jogos..., e a gasolina continua a aumentar!

Meu querido Jakk, colega de profissão semelhante :), tens de ser "simples como as pombas e astuto como as serpentes", eu estarei cá a torcer por ti. ;)

E hoje assino com o meu nome, nada de nicks, Carla

sandraf disse...

Desculpem a minha honestidade sem vaselina nem graxa...
Como deves saber, Hugo Muacho, gosto-te muito!
Até já
Sandra Maria Martinho Ferreira
20/06/1974
Lisboa

Anónimo disse...

vamos por partes...(cheguei tarde, mas cheguei eheheh)

1 - A luta não passou de sítios longes de Lisboa. Se cá estivesses não podías fazer mais do que ficar a rir de ver as bombas sem gasolina e os supermercados com as prateleiras vazias. Infelizmente não há luta nem houve, porque como já aqui disseram, as pessoas contentam-se com umas migalhas. De resto concordo com o que dizes sobre a balbúrdia que aqui vai.

2 - Há sempre forma de levar água ao seu moinho de forma educada e discreta. Por isso põe lá essa malta na ordem e continua a mostrar a nossa raça, como diria o nosso presidente (sem espezinhar ninguém claro, mas se estás numa posição em que tens de dar uma orientação, então força nisso - e sempre com o status quo).

Beijinhos!!! JB.

PS - quando vieres a Lisboa traz-me uns litros de gasóleo please...eheheh

Anónimo disse...

Primaço!!!
0,11€ o pitróil????? Caaareeedo!!!!!
Isto aqui é mesmo chulice pura...
Bêjuzinhos grandes, que amanhã já estás de fim de semana.... ;)

~Ariana Margarida~ disse...

Que belo texto, muito bom!

The brain... The Broa! :D

Let's fuck the status quo up, all together... e acabar com falsos moralismos a soarem a hipocrisia...

namáste*

My little Moon disse...

Mas onde é que tu tás Jhakkie? Oo

11 centimos o litro... tambem quero xD