sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Atestado de residência provisório

Faz duas semanas, desloquei-me à esquadra da Polícia de Tadjenanet, para tratar do meu atestado de residência provisório. Fui com uma funcionária argelina da administração (mulher mais linda, mistura de árabe com África negra) , um japonês e um filipino.
Entrámos na esquadra, indicaram-nos o caminho para o 2º andar, para uma sala onde estavam dois agentes para nos receber. Um a um foi-nos perguntado as informações contidas no passaporte. Depois assinei 5 papeis em Árabe e depositei a minha impressão digital noutros 5. Não sei o que assinei, nem perguntei, o meu visto estava caducado fazia 4 dias e precisava daquele pedacito de papel para sair daqui! Quando pedi um papel para limpar a tinta das mãos olharam para mim incrédulos! Pedi então para ir à casa de banho, mas aquela a qual podia ir estava ocupada. No entanto o ser Português aqui é uma clara vantagem sobre os asiáticos! O falar francês também!
Fui bem tratado, mas não sei o que assinei! Já não me preocupo com essas coisas! Afinal o mais importante é mesmo ter o papelinho que me permita sair daqui quando quiser! Embora recentemente tenha descoberto um outro imprevisto que me pode dificultar uma escapada de emergência. Não consigo levantar dinheiro com o Mastercard no Banco Nacional da Argélia! O único existente! Só nos grandes hoteis ou nas caixas Multibanco, que são praticamente inexistentes e que quando se encontram estão fora de serviço! Bem haja o telemóvel, pelo qual posso marcar um vôo e sair daqui em caso de emergência!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Banco Nacional da Argélia

Ontem tive que me deslocar ao banco!
Muito interessante, assina-se o documento da transacção pretendida, avançam com a caixinha de tinta de carimbo e bota lá a impressão digital!!!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Bejaia

Dia 1 vou até Bejaia, cidade costeira situada no Nordeste Argelino. Conhecida pelos seus bares e discotecas. Apesar de me deslocar em pleno Laid, dizem que estará tudo a funcionar.
Laid é a festa do pós-Ramadão, dura dois dias. será amanhã ou quarta que começa.
Os senhores vão hoje olhar para a Lua e decidir se amanhã já podem comer ou não!
Quando regressar, prometo descrição detalhada da viagem. Vai ser divertido, vou com uma escolta armada!!!!! This japs are crazy!!!!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

TOP 3

Como já aqui estou há uns tempos e falei com certeza com mais de uma centena de argelinos, dou-me ao luxo de elaborar um top dos três portugueses mais conhecidos por estas bandas:

1º lugar: Cristiano Ronaldo

2ª lugar: Luís Figo

E num impressionante 3º lugar é com grande satisfação que anuncio, senhoras e senhores, meninos e meninas:

LINDA DE SUZA!!!!

sábado, 6 de setembro de 2008

Liberdades

Como já referi em posts anteriores, perdi o meu motorista Nouredinne Sdrati. Personagem dos vídeos mais engraçados desta página. De 3 em 3 meses dá-se a rotatividade dos nossos "chauffers". Depois de fazer as minhas habituais pesquisas, tudo isto se deve ao facto de a admnistração não querer que se criem laços entre condutores e conduzidos. Uma pena, na realidade, e para quem realmente faz amigos o objectivo não se cumpre. Não só continuamos amigos do Nouredinne, como vamos sempre que podemos tomar um "tê" ou um "cahoir"( café - o h lê-se como um r não acentuado ). Amanhã vou-lhe emprestar a câmera fotográfica para tirar fotos dos seus filhos. Ofereci uma bicicleta à filhota de seis anos dele que foi a melhor aluna da 1ª classe da escola dela no ano lectivo passado. Outros presentes se seguirão. Quando somos afortunados com um bom salário ou qualquer tipo de riqueza, devemos partilhar com os que pouco têm. Penso que o dinheiro da bicicleta acabou por não ser para uma bicicleta. Terá sido sem dúvida para algo mais importante e de necessidade mais fremente. A sua família habita numa casa que partilha com o duas irmãs, uma casada, assim como com o seu pai. Ele tem um quarto na mesma, no qual co-habita com a mulher mais os três filhos. Não se consideram pobres. Tenho acompanhado a angústia dele no processo de candidatura a uma habitação social, na qual poderia viver só com os seus filhos e com a sua esposa. Já saiu a primeira lista de atribuições. O seu nome não constava da mesma. Nessa lista constava já outro Sdrati. Nunca duas pessoas da mesma família parecem na mesma lista, princípio igualitário deste governo Argelino. Não fosse o facto de o outro Sdrati ser irmão de outro Sdrati, o qual tem um bom cargo admnistrativo no Governo Local. Ça c'est la Algérie, l'Afrique, le Monde.
Agora ando com um bom rapaz, de 30 anos, que se chama Tarek Saf. Casado, com um pequeno filho e com o sonho de viver na Europa, onde já habita o seu irmão. Numa conversa de outro dia, falávamos do Ramadão, da vida, da Argélia...de tudo. Às tantas no meio da conversa, eu já gozava com ele a dizer para irmos beber uma cervejinha ao meu quarto e comer um belo naco de presunto. Fechávamos a porta e ninguém via. Rimo-nos os dois, isso seria impossível, muito mais sendo altura do Ramadão. Isso seria "aamar". Não sei se é assim que se escreve, mas não podia escrever só com um "a". Isto significa pecar. Às tantas diz-me que no fim de semana vai para uma barragem pescar. Passa lá todo o dia, apanha um peixe, tira-lhe o isco, volta a lançá-lo à água. Eu fiquei admirado, perguntei-lhe se não deveria passar o único dia de folga que tem com o seu pequeno filho e com a sua esposa. Ao que ele respondeu com um sorriso:
T: - C'est ça l'Álgérie!
J: - Então e a tua mulher?
T: - A minha mulher é livre...Senão "aamar", é livre.
J: - Então no fim de semana, está com a família, com os amigos...
T: - Amigos?? Amigos...não tem amigos?
J: - Não tem amigos????
T: - Não...vai ter com a família...
J: - Mas não pode ter amigos????
T: - Hmmm...não.... ( meio envergonhado, sorrindo ).
J: - Mas então que raio de liberdade é essa? " Mon ami, ça n'est pas être libre".
Sorriu, envergonhado, uma vez mais. eu sorri com ele abanando a cabeça a dizer que não. Seguimos em silêncio uns breves minutos...
J: "Tu aime ta femme?"
T: "Oui".
Sorrimos novamente, sem embaraço.
O irmão dele e a mãe vivem em Itália. Têm uma boa qualidade de vida lá. Andam a tentar arranjar um contrato de trabalho para ele conseguir um visto e assim se juntar a eles. Isto é um homem ao qual perguntei, que, se conseguisse ir para a Europa faria a mulher andar meia coberta. Ele respondeu que não.
Engraçado, no meu período de férias, apanhei só um pouco de um documentário que falava de uma mulher Argelina que tinha emigrado para França com o marido, penso que há mais de 20 anos. Essa mulher, divorciou-se, liberou-se e voltou à Argélia para ver como estavam as suas antigas colegas de escola. Do pouco que vi, registei uma que não podia sair de casa. quando o fazia sem o marido, não podia passar mais de 2 metros da porta de casa e não poderia lá permanecer mais de 30 a 60 segundos...
Aqui a PIDE são os vizinhos, as pessoas que comentam e desgraçam vidas só pelo facto de alguém andar de cabelo descoberto ou por ficar mais de um minuto à porta da sua própria casa. Isso desgraça o marido, os pais, os sogros, os irmãos e sabe-se lá quem mais. Mesmo com noções de justiça e liberdade... Não se pode permitir a vergonha do falatório alheio.

Censura

Não percebi ainda se foram os japoneses se é mesmo dos argelinos! Uma coisa é certa, links do youtube têm todos o mesmo resultado:
"This video is no longer available"
Vou investigar...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ponto de situação

Depois de quinze dias de férias, regressei a Tadjenanet, faz agora duas semanas. Cheguei doente e precisei de dois dias para me recompor. Prenúncio dos tempos difíceis que se aproximavam, os acontecimentos vão se sempre encaixando, por vezes só o vislumbramos ao olhar para trás.
A vida aqui ficou mais difícil. Nos quinze dias que estive ausente houve um acréscimo bastante significativo de atentados terroristas nestas terras. Consta que é normal isso suceder no mês que antecede o Ramadão, que aqui começou na segunda-feira. Que há atentados já o sabia, mas desta vez as coisas foram diferentes. A proximidade geográfica dos mesmos altera um pouco a ideia que temos dos mesmos. Sobretudo quando, desta vez, dois deles foram dirigidos ao Campo nº 4 do consórcio para o qual trabalho. No total neste momento, o consórcio é constituído por sete desses mesmos campos. O Camp 4, encontra-se a cerca de 80 kms do sítio onde me encontro, para os lados da fronteira com a Tunísia perto da cidade de Constantine. Durante dois dias seguidos, foi alvo de ataques. O primeiro, foi um ataque armado. Cerca de uma dúzia de terroristas armados atacarm com carabinas e metralhadoras o campo. Foram eficientemente rechaçados, não provocando grandes danos materiais, pela espécie de exército privado que nos protege. Balanço final, três mortos, todos eles terroristas. O segundo ataque, no dia seguinte foi diferente, talvez pela vigilância constante à volta dos campos verificou-se ineficaz pela distância a que aconteceu. A cerca de 100 metros do campo, explodiram dois carros armadilhados, provocando a morte de alguns terroristas. Talvez os próprios motoristas. Penso que um ou mais militares ficaram feridos. A informação é escassa, pescada e nunca dada de forma oficial. Penso mesmo que propositadamente escondem este tipo de novidade às pessoas que por aqui trabalham. Outros atentados houve, num deles morreram 43 pessoas.
Tudo isto criou alterações na minha rotina. A pouca liberdade que existia, mesmo contra as normas de conduta do consórcio, onde me arriscava a saídas nocturnas não autorizadas para saborear um jantar decente regado com um bom vinho argelino e umas heinekens fresquinhas nas entradas, seguido por um bom whisky à saída...acabou. Decidimos, enquanto a situação não acalma, reduzir as nossas saídas a motivos estrictamente profissionais. Contactámos a embaixada portuguesa, registando a nossa presença assim como os nossos números de telefone. Ando sempre com uma boa maquia de dinheiro no bolso, assim como os cartões de crédito e de débito. Somos três portugueses, dois no Camp 2, onde me encontro e o outro no Camp 1, a cerca de 60kms perto de Setif. Mantemos comunicação permanente, sobretudo se tivermos que fazer deslocações pouco usuais ou fora de horas.
So now, i'm really stuck at Guantanamo.
Passadas duas semanas, parece que estou aqui há dois meses. Voltei rapidamente à rotina, já é um sítio familiar, o meu quarto, as minhas secretárias (quarto e escritório), as pessoas. Não se sente o perigo... se surgir será sem aviso. De qualquer maneira, sinto-me bastante seguro. A zona onde me encontro não tem grandes registos de atentados. É um planalto, as montanhas onde se encontram mais terroristas estão bastante longe. Concentração no trabalho, manter a cabeça minimamente distraída e ir tentando encontrar um equilíbrio no meio disto tudo. No fundamentalismo e ignorância de um povo bastante fundamentalista. Na dificuldade de trabalhar com os japoneses que por vezes se mostram bastante inacessíveis. Lembra-me aquela música: " row, row your boat...safely down the stream..."
Sigo o meu caminho, neste rio tortuoso. Ciente de que chegado ao entroncamento, esta escolha foi minha. Para os que se preocupam e perguntam se não deveria sair daqui, não desisto. Se chegar um momento em que sinta medo de sair para executar as minhas funções, serei o primeiro a tomar a decisão de partir. Cumprindo sempre as minhas responsabilidades. Avisando a empresa para a qual trabalho e cumprindo o tempo estabelecido por contrato para encontrarem um substituto.
Cada vez mais acredito que as coisas não acontecem por acaso. Estou aqui por um propósito. Estou num processo de enriquecimento pessoal. Espero saber aproveitar da melhor forma as coisas boas que por aqui posso aprender. Condições adversas, falta de liberdade, privação quase total do que nós por aí tomamos como garantido. Desafio pessoal, desafio profissional.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Training sessions - Formação

Porque, apesar de tudo...
...há coisas que valem a pena
Assim como também há...
momentos...

mais complicados...mas muito engraçados! :)

Broas de Avintes

Abaixo de mim O deserto do Sahara! Onde estou o deserto de ideias!
Vantagens, aqui não se bebe de copos com detergente, porque não o usam mesmo!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Constantine

Constantine é neste momento a 3ª cidade da Argélia. Com cerca de 750.000 habitantes, é a cidade mais civilizada da região onde me encontro. Acabando por ser uma agradável surpresa no fim desta minha 1ª jornada de três meses. Pela limpeza das suas ruas, pela arquitectura, pela beleza de alguns dos seus monumentos, pelo leve aroma a progresso e liberdade.

O grande medo é a má língua, o que os outros podem dizer de ti ou da tua mulher. O que os pais podem vir a saber, mesmo que falso, ou meras impressões de quem está na rua sem nada para fazer. Uma espiral montada por centenas de anos em que o medo do olho público, do vizinho, amigo ou comerciante, está acima de tudo. Uma sociedade montada num esquema de auto-vigilância, onde o espaço para a liberdade, livre arbítrio ou comum socialização está banida para as mulheres!
Ontem vi na televisão, infelizmente só a parte final, de um excelente documentário sobre uma mulher argelina que emigrou para França e emancipou-se. Nesse mesmo documentário, relatos de mulheres da sua geração e também de gerações mais novas, com novas ideias. Mulheres que vivem presas dentro das suas próprias casas e debaixo das suas cruéis vestimentas.
O aroma do progresso é de facto leve, mas real! Este post é para essas mulheres, para as que não se liberaram e não viveram os seus sonhos, para as que devagarinho vão fazendo força para esse sonho ganhar asas e para as que, espero um dia, o poderão viver e concretizar!
Inshala!



Vídeo: jakk@hiddencamera
Music by: Chilled C'Quence - Growing seed

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A visita do Ministro

O ministro veio fazer uma visitinha ao "Chantier".Imaginem 200 km de bandeiras argelinas espalhadas por todo a obra. Um aparato policial, de agentes da secreta, de carros, de assessores, tradutores e ainda japoneses, indonésios e filipinos para dar as boas vindas. Chegam de repente, numa nuvem de pó! Saem dos carros todos apressados. Os militares quando olho em redor, estrategicamente distribuídos com as suas "uzis", todos a falar ao telemóvel e eu sem a minha máquina. O ministro chega perseguído por uma só estação de televisão, claro, a estatal!
Resumo, porque um acontecimento destes só resumido, se ficou 2 minutos a apreciar a ponte recentemente erguida e a plataforma de auto-estrada já construída foi muito. Entram todos no carro, que se faz tarde, e arrancam em grande velocidade.
Foi assim a visita do ministro, rápida... Mas que haviam 500 bandeiras para ele ver pelo caminho haviam...
A caravana passa, mas os cães continuam a ladrar!
Neste caso a uivar, de fome, de falta de emprego, de condições de vida, de saneamento básico. Que os milhões para a meia dúzia de projectos megalómanos de auto-estrada ( eu estou inserido num projecto que são 1100 km ), esses sim...vão ser gastos com certeza.

Viva o sr. ministro! Inshala tudo melhore! Que o senhor olha por nós!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Visões

Uma Argélia em construção em que todo o lixo é deitado para o chão, mas onde se ama verdadeiramente os animais!
Simples...os mais amistosos!
Retrato...um malaio na Argélia!

Formação, suporte e apoio técnico



Eating Philipine


Almoço em El Aulm na villa dos Filipinos


Com o meu bom amigo GATA, há empatias que nem é preciso duvidar!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Tadjenanet

Camp 2 - Fábrica de manilhas e de vigas de betão pré-esforçado.






domingo, 13 de julho de 2008

Sorriso

O sorriso...
Será ele o verdadeiro reflexo de uma pessoa?
Não talvez do que realmente seja agora, mas do seu potencial, ou do que deveria ou poderá vir a ser.
Eu quero acreditar que sim... Sorriam e abracem o vosso sorriso!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Today i got...



A hole new way of looking at the day.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Onde é que está o...

Leite???
Enquanto decidem se o leite faz bem ou mal...
Declaro-me, oficialmente, intolerante à lactose!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

R.I.P.



Use your senses. Don't stop...just don't even start it.

DEVIR

quarta-feira, 11 de junho de 2008

It's all complicated. Stop&Go.




Como português que sou, gosto de dar o meu melhor. Sobretudo, sendo um português a trabalhar no estrangeiro, para uma empresa estrangeira. Leia-se bem pago, porque será que muitos portugueses não dão realmente o seu melhor, no seu próprio país? Resposta fácil. Como se diz por aqui, estamos fartos de Ali Babás. Ia escrever de uma coisa, agora já estou a escreve sobre outra. Escrevo sobre várias... The brain...
Hoje fiquei a saber que Portugal está em estado de sítio, de repente este inferno virou paraíso. Não só pelas razões profissionais acima descritas, mas também porque se aí estivesse significaria que estava a ser chulado. Por outro lado gostava de participar nessa luta. Má ou boa, justa ou injusta, da melhor ou da pior maneira. Já fazia falta quem abane esse o nosso país. Mais feliz fico por ver isto acontecer no meio do Euro 2008. O povo quer é circo, desta vez, a tenda pega fogo. Abanem bem esse status quo... Mostrem que o povo é quem mais ordena. O tuga enche...enche, mas também rebenta. É ridículo, o preço do litro de gasóleo aqui é 11 cêntimos. A Galp, BP e companhias que desçam os preços que já andaram a mamar que chegue durante anos suficientes. Assim como a brisa e outras directamente ou indirectamente relacionadas. E o Estado, o Estado que desça as taxas intoleráveis que pratica sobre os vendedores e revendedores. Parece que chegou a altura de lutar, gostava de partilhar essa luta. Tudo isto fruto de um senhor que decidiu que seria melhor para a economia do seu país invadir um outro, só para que os seus amigos pudessem fabricar e vender mais armas e toda a parafernália de instrumentos bélicos. Esse senhor, vai saltar fora, e deixa os eu país numa situação também não menos desgraçada... A chamada Bush...para a boca!
Profissionalismo, dedicação. Exceder a sua função, fazer mais do que se é pago para se fazer porque as coisas não correm bem. Problemas! Ou não?
Debato-me neste momento com esta questão. Isto de trabalhar em projectos megalómanos, cheios de pessoas e com objectivos quase impossíveis é complicado. Departamentos muito grandes. Por vezes para conseguir uma informação é um mar de burocracia. A pergunta passa por não sei quantas mesas, e muitas vezes perde-se num oceano de gente. Porque a pergunta é uma boa pergunta, porque a pergunta é uma pergunta incómoda. Respira-se fundo, faz-se uma pausa...estou a trabalhar com os japoneses. Vejo muita coisa a correr mal e sei dizer como se fazer melhor. Mas se o começar a fazer vou deixar muita gente ficar mal. Sou um de 3 ou 4 Europeus no meio disto. Se abalamos isto com muita força, o tal do status quo, isto vai correr mal. Aqui ter o azar de chatear a pessoa errada, significa, um bilhete de avião para casa. Faço parte de um departamento que se chama IT Group (intelligence), estou numa posição hierárquica bastante alta. Há muitos japoneses que me devem pedir ajuda e responder às minhas perguntas. Quando para aqui vim, não fazia ideia que assim seria.
Sou Português. Acreditem que esse sentimento aqui se torna muito mais forte. Por estar longe de casa, por sermos dois no meio de uns quinhentos asiáticos, por muitos deles não gostarem que nós estejamos na posição que estamos. Por haver quem faça muito para a nossa vida não ser fácil, e por andarem aí muitos a brincarem com esta merda toda.
Mais que nunca tenho que medir as minhas palavras, as minhas atitudes. Tenho que provar dia após dia, que sou capaz. Tenho que merecer o respeito e a confiança depositada em mim. O que falta aqui em divertimento, fiesta e lazer, sobra em desafio profissional e pessoal. Profissional, porque tenho responsabilidades e mais que nunca tenho que estar á altura. Pessoal, porque o desafio é grande, o nível de contenção exigente, tanto para os japoneses como para os árabes e sobretudo, para as árabes e para os problemas que daí podem advir. You cannot always speak your mind. Nas conversas informais, continuo a falar de política, religião, liberdade e direitos humanos, igualdade para homens e mulheres. Com cautela, é verdade, mas recuso a anular-me e a perder a oportunidade de pôr umas cabecinhas a pensar. No trabalho, mensagens, subliminares, subentendidas em relatórios escritos. Em pequenos apontamentos, em pequenas conversas. Tenho indicações para não dar o meu melhor, para não exceder as minhas funções. Indicações de quem está a 3500km, de quem não passa aqui o dia a dia e não faz totalmente ideia do que é conquistar o que eu e o meu grande colega (que eu chamo de: mais velho, e bem o merece) conquistámos. A confiança e até alguma amizade de pessoas difíceis de conquistar. Confiança e respeito esse, que só se ganha, porque as pessoas vêm que vamos além do nosso trabalho. Que estamos aqui integrados numa equipa que quer fazer o seu melhor. Às vezes na vida (senão quase sempre), temos que deixar a retaguarda desguarnecida. E como diz um dos meus chefes japoneses daqui, que tem os olhos abertos como os meus...Nagatsu-San: Patiente, Endurance. Isto foi me escrito num daqueles tradutores electrónicos. Japonês/Inglês.
So i will keep doing my best, restrained, but not entirely as they tell me. Como se diz em Japonês: Gon bari mas.

sábado, 7 de junho de 2008

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Once

Acabei de ver um filme com estes srs...
Gostei muito...


quinta-feira, 5 de junho de 2008

Les chameaux

Este vídeo, foi filmado perto do acampamento dos pastores de camelos.
Estes senhores são nómadas, deverão partir para outras pastagens brevemente.
Obviamente que o nível de vida deles, é muito mau, inferior ao estado de pobreza que por aqui encontro.
Embora as pessoas não se considerem pobres, mesmo vivendo 9 pessoas num apartamento tirado de um filme pós guerra! Aqui entras numa cidade com 150.000 habitantes e parece que estás no Casal Ventoso, quase de uma ponta à outra!
Lá chegaremos a essa dissertação!
Enchemos um sacão de pain, fromage et des cigarretes!!! Que é a 1ª coisa que eles pedem quando chegamos.
A vedeta do filme, Noureddine, o nosso chauffer, grande amigo e companheiro!
Uma coisa boa, nisto de andar longe, e sobretudo em sítios perigosos, é a velocidade com que se faz boas amizades... A intensidade de um sítio perigoso... é como uma bênção!





Há coisas muito boas nesta bela Argélia!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Who wrote this????


Ontem deparei-me com isto.
Está escrito num caderno que anda sempre na minha mala do computador, daqueles para tomar notas e fazer desenhos que me ajudam profissionalmente a bater a barreira de comunicação.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Broas de Avintes

Estava a jantar, e sentou-se ao pé de nós um senhor com os seus 65 anos. Canadiano, especialista em fundações especiais. Um trabalho que se faz com gruas enormes e com perfuradoras gigantes...
Gilles, o mecânico francês da Caterpilar, perguntou-lhe:
- How was your day?
Ele respondeu:
- Fucked up!! My crain is broken, the hidraulic tubes of the other machine burst...
E explicou mais 3 ou 4 coisas de teor técnico que lhe aconteceram e lhe tornaram o dia numa verdadeira desgraça.
E eu perguntei-lhe:
- How can that happen??? So many things in so few time??
E ele respondeu:
- I don't know, i fucked my wife for twelve years and nothing...and then out of nothing...a baby!!!!

sábado, 31 de maio de 2008

Berber

Depois de quase uma semana sem net, por motivos que ainda estarão e quem sabe ficarão por esclarecer, voltou...
Celebra-se hoje umas quantas vitórias de trabalho, tanto a nível técnico, como a nível de relações humanas dentro do IT Group onde as minhas funções se enquadram.
Conseguimos promover a 1ª reunião com os japoneses e estabelecer briefings diários daqui para a frente!




Para festejar!!!! Deixo este vídeo!!!
É dedicado a todas e todos os que se dão ao trabalho de me ler e de me ajudar das mais variadas formas!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Censura

Meus amigos,

Os japoneses, ou os argelinos censuram o acesso à internet!
A ver se passa esta, claro que já estou a tratar do assuntoao nível das mais altas instâncias!!!

Je suis européenne!!! J'ai mes droits...

à toute a l'heure!! Je vous embrasse!!!

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Ponto de situação


Hoje é Domingo, no nosso conceito de domingo para o Islão.
Estou a beber uma heineken, fresquinha, ilegal e inflacionadíssima!Sabe mesmo bem...
Tenho que aumentar o som da música, lá fora em estridentes megafones, 5 a 6 vezes por dia, ouve-se o Corão. Por momentos sinto-me numa fortaleza da II guerra mundial, rodeado por alemães, que nos bombardeiam com propaganda nacionalista. Só faltam os panfletos a voar, largados de um avião qualquer da Luftwaffe. Os meus aposentos, situados Camp2 do consórcio Cojaal ( Consoirce Japonais pour la auto-route Algérien), são no bloco T2-5, quarto 28. Todo o complexo é rodeado por muros com cerca de 3 metros de altura e com arame farpado. Com 2 portões, e cheio de guaridas elevadas ao longo dos muros, cada uma contendo um guarda armado, assim como nos portões onde no mínimo estão 3.
Durante a semana, de sábado a quinta, temos um motorista e uma viatura designada ( o já famoso Nouredinne e viatura 197 ), na qual nos deslocamos livremente pelo site da obra de 120 km. aproveitando para dar as nossas voltas e conhecermos as localidades que nos rodeiam. Ao fim de semana, temos que requisitar uma viatura, que normalmente vai escoltada por polícia ou segurança privada armada... São loucos este japoneses, tudo isto por causa do terrorismo. Não percebem que assim é meio caminho andado para sermos marcados ainda mais rapidamente. Todas as semanas ouve-se histórias, são 400kms de auto-estrada cerca de 10 campos espalhados nessa mesma distância. Separar o boato da realidade é muito difícil. Ouvi a história dos 5 trabalhadores, indonésios e filipinos, que desapareceram em pleno dia de um dos sites de obra. Também a história do tiroteio à entrada do aeroporto de Constantine, no qual supostamente morreu um polícia e outros ficaram feridos. A única que consegui confirmar até agora é a morte de um japonês que se envolveu com uma rapariga argelina e que morreu dentro do seu quarto no campo 5 ou 7. Versão oficial: Suicídio.
O que consta aqui, falando com os locais de Tadjenanet, El Gheroum Laid, El Aulm, é que é uma zona livre de terroristas e perante qualquer indício de de existirem é política popular denunciá-los de imediato às autoridades. Dou por mim a pensar os riscos que o governo argelino corre ao manter no limiar da pobreza, senão mesmo da miséria, a maioria da população. As pessoas começam a ficar um pouco revoltadas com a situação. Adoptado o modelo soviético, melhor forma de os aqui chamados Ali Babás, se apropriarem de todas as propriedades agrícolas e outros bens dos cidadãos. É impressionante um país riquíssimo com petróleo, gás natural, agricultura e com bastante água, tenha a população nesta situação. Com o exército do lado do poder, receio que a população mais desinformada possa optar pelo fundamentalismo, como único caminho de alterar a sua situação, que já é mesmo muito precária. Tenho conversado com argelinos com um bom nível de formação, de arquitectos a engenheiros, desenhadores e de outras profissões relacionadas com o projecto. Todos um pouco desgostosos com a situação corrente, com a perfeita noção das riqueza deste belo país e com perfeita consciência da possível melhoria de nível de vida para todos. Entretanto vai-se atirando areia para os olhos do povo, com o famoso Táxi phone, telemóvel, que aqui se chama assim por que se paga. Táxi=pago phone!Futebol e carros. Depois de um primeiro contacto, às vezes segundo e terceiro, estas gentes revelam-se afáveis e de bom coração. Os comerciantes, obviamente vêem-nos com muitos bons olhos. Tenho a felicidade de me encontrar numa das zonas de maior crescimento demográfico e de menor risco de terrorismo, devido também à distância que estamos das montanhas.
Claro que o meus colegas já têm aqui uns esquemas e conseguimos ir quebrando as regras e dar uma fuga para comer um jantar decente a um hotel, que isto de comida japonesa/argelina/francesa que nos servem por aqui é dose para leão. O mais engraçado é ver alguns desses hotéis, que a sua maior actividade acaba por ser a prostituição. Lá estão sempre umas meninas muito ocidentalmente vestidas, mortinhas por fazer as honras da casa. Ou requisitamos um carrito para trabalhar ao fim de semana e fugimos para uma cidade, para fazer umas compras e dar umas voltas! Como em qualquer parte do mundo, aqui arranja-se tudo, é preciso é diplomacia e inteligência... e boa onda, muito boa onda!

Quanto mais longe vou, mais perto chego de mim...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Visões

El Aulm, Beirute restaurante

Nouredinne, fiel motorista e grande companheiro.



InlandGeo/Topcon staff, nice crew!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Searas



Visões de searas, maduras e verdejantes...um mar no interior deste Norte Africano.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Visões


Os argelinos, têm uma coisa, que me deixa simplesmente encantado no meio disto tudo...
Adoram animais, dos cães, gatos, ovelhas aos camelos ou dromedários. encantam-se com as cegonhas e param o carro para ouvir um pássaro a cantar.
Estávamos a passar e trouxeram-nos este cachorrinho para pegarmos nele...
Dá que pensar...

Comme est beaux l'Algérie!

Nesta foto vê-se um troço da auto-estrada.

Condomínio de cegonhas. Um de muitos.
...

Visões

Argélia real, maioria da situação da população.

Argélia Industrial

domingo, 18 de maio de 2008

Quem é o camelo?

Engraçado, há momentos em que penso se não serei eu! Por vir para este sítio inóspito, duro, sujo, impessoal...
Decisão minha, consciente. Não me arrependo, afinal de contas, é uma aposta minha, tanto de trabalho como pessoal. Não passou ainda muito tempo... Aqui sente-se realmente o tempo como aquele anúncio da Swatch. Um segundo que dura uma eternidade, uma eternidade que dura um segundo! Lembra-me uma frase do famoso treinador Manuel José (lembrei-me dele hoje na conversa com dois jovens egípcios, muito simpáticos, que me falaram nele. Caso não saibam foi campeão dos clubes africanos pelo clube egípcio Al-Ahly nos últimos dois anos), na altura treinador do Boavista, quando se saiu com uma daquelas bem filosóficas de algibeira, "O importante é o domínio do binómio espaço tempo".
A perda da sensação do tempo, por estar longe, por o fim de semana aqui ser quinta e sexta, por trabalhar seis dias por semana, por ainda não dominar bem os caminhos, as ruas, as cidades, os corta-matos, o próprio site da obra (120 km), sobre a minha alçada e do meu colega, grande colega Trabulo! Tudo isso acaba por me ajudar a ultrapassar tudo com uma extrema facilidade... Isso e o riso, a capacidade de rir e de fazer rir... em português, francês ou inglês, ou mesmo em arranhanços de árabe!
Esta terra dá muito que falar, cheia de contra-sensos, mas adio essa conversa para outra altura, depois de absorver mais um pouco de tudo o que me vai rodeando. Desde os acontecimentos, aos cheiros, aos sabores, às pessoas... às visões.
Estou bem, estou a gostar do que faço. É tudo novo...
faz-me pensar como será depois, quando conhecer as estradas, caminhos, gentes. Quando me situar pessoalmente, fisicamente, mentalmente, geograficamente e profissionalmente. Conto com os outros elementos, os japoneses e a sua maneira de ser, o perigo, que sejamos realistas mora mesmo aqui ao lado. O facto de para algumas pessoas não ser aqui bem-vindo...de todo!
Haja inconstantes e variáveis. Haja razões para me manter vivo, esperto, alerta! Haja desafios, para que com este dromedário, haja mais vontade de continuar a percorrer estas terras!
Salam malikum (não sei se é assim que se escreve, mas significa que Alá esteja convosco)

Visões...

Argélia, pura e dura... um cheirinho...
Nacional nº5 entre Setif e Constantine, perto de Elghoum Laid


sexta-feira, 16 de maio de 2008

SETIF

Setif, cidade próxima de Tadjenanet, onde me encontro. Por agora tento, mostrar-vos o lado positivo e limpo desta parte da Argélia...