quarta-feira, 22 de abril de 2009

Broas



Palavras para quê?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

out of the box

Um ano de Argélia está quase a chegar. As broas estão com um pouco de bolôr. Sintoma de um estado de espírito cansado. Pelo meio vão acontecendo coisas boas. Pequenas vitórias profissionais e pessoais, pequenas conquistas pessoais. Se olhar para tudo isto de um plano mais elevado e de significado a longo prazo, essas mesmas conquistas, elevam-se a um plano inconcebível se há um ano atrás pensasse nelas . Por isso continuo, persisto, insisto e vou prevalecendo. Períodos mais complicados, outros nem tanto. Por motivos pelos quais a minha saúde pessoal foi afectada estes últimos 5 meses foram sem dúvida os mais difíceis.
Iria lá eu pensar há um ano atrás que o factor mais complicado de toda esta equação seria de facto a convivência com a cultura japonesa. Não é seguramente a cultura muçulmana aqui encontrada, num país que baila na fronteira do fundamentalismo. Também não o é o convívio com estas gentes, que dentro das diferenças têm imenso em comum connosco. Na maneira de ser, de tratar, de brincar com as situações e com a vida. Um Argelino amigo é um bom amigo. Nunca poderia é prever que a cultura japonesa seria assim. Fechada, orgulhosa, autoritária. Sem o dom de saber escutar e aprender com as outras peossoas e as suas experiências. Pessoas que baixam a cabeça quando passam por mim, porque durante meses a fio lhes garanti um trabalho difícil. Executado, posso dizer, com uma precisão quase impossível de atingir. Esforços de trabalho de carga horária entre as 14 a 16 horas diárias. Um tipo de trabalho, que embora relacionado com o que vim para aqui fazer, não era a minha função. Comecei a fazê-lo sozinho para os ajuadar a perceber como se faz. E foram-me deixando, calados, sem nunca me darem oportunidade de o passar a outra pessoa. Até que um dia bati com a mão na mesa. E refutei a minha responsabilidade. As pessoas que deveriam tomar este trabalho em mãos nem sequer apareciam. Fui depois chamado a uma reunião na sala da administração com direito a tradutor e questionado porque lhes dizia que não era responsável, estragando assim o espírito de equipa. Fiz-lhes ver que não havia equipa. A equipa era eu. Pediram-me para continuar a fazê-lo, pois assim sendo não teriam ninguém capaz. Não podem imaginar a tensão de trabalhar com pessoas assim. Que não falam do que se passa, do que se vai passar. Que mantém as pessoas no escuro de qualquer tipo de decisão. Trabalha-se no escuro. Ninguém sente espírito de equipa. Muitas das melhores pessoas que por aqui passaram, já não voltaram. Filipinos, malaios, argelinos, egípcios. Pessoas tratadas abaixo de cão, com berros e injustiças. Tudo isto porque não são da raça superior japonesa. Por ser Europeu, não sou assim tratado. Mas estou cansado, da incompetência, do racismo, do desperdíco de dinheiro que vejo todos os dias. Num país onde há muita gente a viver em condições que nós consideramos sub-humanas e onde a própria entidade fiscalizadora nacional faz o desperdício ser maior.
Sinto falta dos amigos, dos jantares, dos concertos, beber um copo. Cinema, concerto, exposição. Passeios, cafés, chás. Sol, praia... Sinto falta da minha família e do meu cão. Sinto falta de mim próprio, por estar num sítio onde não posso ser inteiramente eu.

Coming out of the box! Mas desta vez quando voltar, tenho que ter mais armas para continuar a lutar.

terça-feira, 31 de março de 2009

Não

me apetece escrever! Além do mais esqueci-me do carregador da máquina fotográfica!

domingo, 8 de março de 2009

It's alive!


Foto tirada de um poster afixado num café de El Eulma.
Dois atentados em 15 dias, devido à aproximação das eleições presidenciais, que se realizam dia 9 de Abril.
Ambos os atentados se situaram nas regiões usuais e identificadas como mais perigosas.
Nada de novo, por estas bandas, a vida continua a ser "relativamente" segura.

Fevereiro

Março

quarta-feira, 4 de março de 2009

Normal


Normal, ninguém gosta de se considerar normal. Aliás, creio que esse termo só existe devido à necessidade sociológica de agrupar as pessoas em grupinhos rídiculos, ou para efeitos estatísticos. Como as sondagens de televisão, de mercado ou políticas. Como por exemplo os solteiros(as), divorciados(as), jovens, meia idade, reformados, obesos, donas de casa e outros mais. No fundo todos temos um pouco de excêntricos ou de diferentes que acarinhamos no misto da confusão de sermos um pouco socialvelmente aceitáveis.

normal

adjectivo uniforme

1.

conforme à norma ou regra

2.

que serve de modelo; exemplar

3.

regular; habitual; ordinário

4.

antiquado que prepara ou se destina a preparar professores do ensino primário

5.

que não sofre de perturbações a nível físico e/ou psicológico

6.

QUÍMICA (solução) que contém um equivalente-grama do soluto por litro de solução

7.

GEOMETRIA que é perpendicular, no ponto de tangência, à recta tangente a uma curva, ou ao plano tangente a uma superfície

nome feminino

GEOMETRIA perpendicular, no ponto de tangência, à recta tangente a uma curva, ou ao plano tangente a uma superfície

nome masculino

aquilo que é habitual

(Do lat. normále-, «id.»)




1.A maioria das pessoas gosta um pouco de fugir às regras.
2.E de maneira nenhuma quero ser exemplar ou servir de modelo. É mais naquela de faz o que eu digo não faças o que eu faço.
3.Quanto ao ser regular, habitual ou ordinário. Penso que nenhuma delas, já fui um habitué!!! Coisa que muda com a alteração das rotinas mundanas, que acontecem por si mesmas. Essas mesmas alteram-se de formas muito anormais. Os ciclos, a terra redonda, a gravitação nunca se faz em círculos perfeitos(normais), mas sim em elipsóides de raios irregulares.
4.Acho que ninguém gosta de ser rotulado de antiquado.
5.A dado ponto da vida todos temos perturbações físicas e psicológicas, talvez até todos os dias nem que seja por um segundo. Como disse uma amiga muito querida, já faz tantos anos que nem ela própria se deve lembrar...Todos pensamos em f... o cão num milionésimo de segundo.
6.Não interessa, porque se subdivirmos ou escrutinarmos até à milésima, não haverá concerteza um litro igual ao outro.
7.Não sei que diga, mas na minha opinião, normal deveria der mais assim para o "quadrado".

O que me estarreceu nos últímos tempos foi uma inesperada busca pelo "normal", que em mais do que uma ocasão me deixou mal. Não consegui atingir o normal. Por exemplo as águas. Antes era a pergunta se era fresca, natural com gás ou sem gás. Agora é uma parafernália de águas frutadas, que naqueles dias mais difíceis dá vontade de responder secamente: Quero ÁGUA!!!!
Uma coisa que me tem deixado completamente louco é a minha busca por champôs para cabelos normais. Sim, acho que o meu cabelo se aproxima mais do normal. Aliás, o que será afinal de contas um cabelo normal? Será normal da minha parte pensar que tenho cabelos normais? A ver pela maioria das pessoas, que se conhecendo um pouco mais, nada têm de normal. Será possível que a cobrir a cabeça, onde alojamos um cérebro intrinsecamente complexo e imprevísivel, possamos ter uma cobertura normal?
Na verdade, em vários pontos do país, a minha procura em estabelecimentos comerciais de renome por champôs normais revelou-se infrutífera. E agora, cúmulo dos cúmulos, nem aqui na Argélia os consigo encontrar. Lembro-me especialmente de uma vez em Lisboa, no desespero de uma longa busca numa prateleira
gigante de um hipermercado, obcecado pela palavra normal, comprei finalmente um produto para cabelos normais!!! Entrei no carro, liguei o mp3 e conduzi feliz a cantarolar com um sorriso idiota pela minha fantástica conquista. O único problema é que quando fui tomar banho compreendi que afinal... tinha comprado amaciador!!! Antes de vir para cá tive que me contentar com um champô para cabelos castanhos a cabelos castanhos escuros!! O meu cabelo é preto!! Será que podiam fazer um champô para cabelos pretos!?!?

Agora digam-me, acham isto Normal!?!?!?!?