segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Constantine

Constantine é neste momento a 3ª cidade da Argélia. Com cerca de 750.000 habitantes, é a cidade mais civilizada da região onde me encontro. Acabando por ser uma agradável surpresa no fim desta minha 1ª jornada de três meses. Pela limpeza das suas ruas, pela arquitectura, pela beleza de alguns dos seus monumentos, pelo leve aroma a progresso e liberdade.

O grande medo é a má língua, o que os outros podem dizer de ti ou da tua mulher. O que os pais podem vir a saber, mesmo que falso, ou meras impressões de quem está na rua sem nada para fazer. Uma espiral montada por centenas de anos em que o medo do olho público, do vizinho, amigo ou comerciante, está acima de tudo. Uma sociedade montada num esquema de auto-vigilância, onde o espaço para a liberdade, livre arbítrio ou comum socialização está banida para as mulheres!
Ontem vi na televisão, infelizmente só a parte final, de um excelente documentário sobre uma mulher argelina que emigrou para França e emancipou-se. Nesse mesmo documentário, relatos de mulheres da sua geração e também de gerações mais novas, com novas ideias. Mulheres que vivem presas dentro das suas próprias casas e debaixo das suas cruéis vestimentas.
O aroma do progresso é de facto leve, mas real! Este post é para essas mulheres, para as que não se liberaram e não viveram os seus sonhos, para as que devagarinho vão fazendo força para esse sonho ganhar asas e para as que, espero um dia, o poderão viver e concretizar!
Inshala!

video

Vídeo: jakk@hiddencamera
Music by: Chilled C'Quence - Growing seed

6 comentários:

Anónimo disse...

Belo post! Mas sabes o que é mais triste? Nós não estamos assim tão longe dessa realidade onde o maior problema é o que vão dizer de ti, do tio, da prima, etc...longe das Lisboas e dos Portos e outras cidades mais impessoais há muitas terriolas onde esse medo ainda vive.

Claro que depois o medo de vestir uma saia dissipa-se e não provoca sequelas tão graves como aí. Mas se pensarmos bem, Portugal aqui há uns anos não era assim tão diferente....aliás, esta falsa liberdade que conquistámos é muito bebé....agora é esperar que cresça. Bjs. JB

Anónimo disse...

Por acaso vi o doc, fiquei completamente espantada devido ao facto de a falta de liberdade ou pura e simplesmente puderem "ser" mulheres , ser o receio de falatório! Um bem haja para todas elas e força para mudarem mesmo que seja devagarinho!

BJ pa ti
Xhaina

Sónia disse...

Concordo com a JB...passei por essa história do "o que é as pessoas vão pensar??" durante toda a minha infância na aldeia...
:P
todas as atitudes diferentes eram castradas, ab initio...
Adorei o teu post...mas acima de tudo, adorei o teu vídeo...deu para ficarmos com uma pequena ideia...
:D
beijinhos e TDB!!

~Ariana Margarida~ disse...

O mundo ainda tem muito, muito para evoluir.

Quanto ao teu texto gostei imenso~

La Payita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
La Payita disse...

A liberdade, a igualdade de género...

Têm significados tão diferentes. Se estamos num páis europeu ou árabe. Nesta ou naquela cultura.

A Liberdade feminina... É tão difícil explicar os diferentes sentidos. O que significa para uns e outros. E parece tão fácil, não é?

É tudo uma questão de igualdade de direitos? Não, não é! Não basta irmos à escola. É preciso que o pensar diferente seja aceite. Isso é o mais difícil.

E por isso quando uma mulher europeia grita pela igualdade de direitos no acesso a uma oportunidade num cargo de responsabilidades, sem ser penalizada porque é mãe ou porque quer vir a ser...

É tão diferente de gritar por uma oportunidade de ser pessoa. Quando isto significa sair das nossas referências, dos nossos valores culturais. Da nossa família...

Vejo isto nas Mulheres Ciganas. E aqui nas Mulheres Argelinas, nem consigo imaginar... A coragem...Interior, primeiro. Relacional, a seguir. Com risco de de viverem para todo o sempre à margem... Com risco de vida, talvez, nalguns casos...

Um Olé sentido, com Duende, para todas Elas.